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Ucrânia, um país real

Texto e fotos de Felipe Paiva, jornalista do Headline

Origens da guerra em solo ucraniano estão na visão da Rússia de que país vizinho não tem identidade própria; em 2014, manifestações de EuroMaidan, em Kiev, mostraram o contrário

16 de mar. de 223 min de leitura
16 de mar. de 223 min de leitura

O conflito na Ucrânia não é uma novidade de 2022. A Revolução Laranja de 2004 inicia a atual disputa entre ativistas pró-Ocidente e pró-Rússia no país. Dez anos depois, houve mais mobilizações civis. Felipe Paiva, jornalista Headline, esteve lá na época e relembra a cobertura.

Kiev, fevereiro de 2014. Depois de uma noite de confronto, forças policiais fazem um cordão para conter o avanço de manifestantes. Foto: Felipe Paiva/Headline

O movimento popular de 2004 contestava a lisura do pleito que resultou na reeleição do presidente Viktor Ianukovitch, pró-Rússia, apoiado por Vladimir Putin e por oligarcas da cidade de Donetsk, a mais importante da região de Donbass, uma região separatista.

Kiev, fevereiro de 2014. Manifestantes ocupam e controem acampamento na Praça da Independência no centro da cidade. Foto: Felipe Paiva / Headline

Em 21 de novembro de 2013, um novo movimento popular pró-Ocidente voltou a contestar Ianukovitch, pedindo sua renúncia e a adesão da Ucrânia à União Europeia e à Otan.

Kiev, fevereiro de 2014. Manifestantes olham sobre as barricadas feitas para se proteger das forças policiais. Foto: Felipe Paiva / Headline

Em 2014, os civis se organizaram para construir uma nova Ucrânia, com menor influência da Rússia, mais influência da Europa e uma identidade ucraniana mais independente.

Kiev, fevereiro de 2014. Comício reúne milhares de pessoas e líderes de oposição pedindo a renúncia do então presidente Viktor Ianukovitch. Foto: Felipe Paiva / Headline

Essa guinada pró-Ocidente foi denunciada por Vladimir Putin como um golpe de Estado e a “nazificação” do país.

Donetsk, junho de 2018. Usina termelétrica na região de Donbass, leste da Ucrânia. Foto: Felipe Paiva / Headline

Em Maidan, epicentro da Revolução de 2014, grupos fascistas e nazistas protagonizaram confrontos com a polícia e o Exército, apoiados por Moscou. Mas os extremistas nunca chegaram ao poder na Ucrânia. Nas últimas eleições parlamentares, eles fizeram menos de 2% dos votos.

Donetsk, junho de 2018. Pessoas observam balões de ar na comemoração do dia das crianças em parque. Foto: Felipe Paiva / Headline

Desde 2014, apenas grupos políticos pró-Ocidente, pró-União Europeia e pró-Otan venceram as eleições na Ucrânia, derrotando a minoria pró-Rússia, muito forte no leste do país, na região de Donbass.

Kiev, maio de 2014. Ilustração de Putin com um tiro na cabeça estampada em muro na cidade. Foto: Felipe Paiva / Headline

Essa história de confrontos políticos internos faz com que, apesar dos grandes problemas de corrupção, governança e desigualdade no país, os ativistas ucranianos pró-Ocidente tenham uma força de união e senso de organização impressionantes.

Donetsk, junho de 2018. Um quebra-cabeça ilustra Jesus em uma casa destruída durante confronto entre o Exército ucraniano e forças separatistas. Foto: Felipe Paiva / Headline

A identidade e unidade ucranianas estão sendo colocadas à prova.

Kiev, fevereiro de 2014. Manifestantes acendem um cigarro enquanto se protegem em barricadas. Foto: Felipe Paiva / Headline

É essa união, associada ao poder militar fornecido pelo Ocidente, que por ora leva os ucranianos a resistirem à invasão da Rússia. A questão é: até quando?

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